Três assaltantes levaram apenas três minutos para furtar as obras “O Lavrador de Café” (1939), de Candido Portinari, e “Retrato de Suzanne Bloch”, de Pablo Picasso (1904), do Masp (Museu de Arte de São Paulo) na madrugada desta quinta-feira.Câmeras do circuito interno de televisão do museu, localizado na avenida Paulista, em São Paulo, registraram o assalto, que ocorreu entre 5h09 e 5h12, de acordo com o boletim de ocorrência registrado no 78º DP, dos Jardins.
O boletim foi registrado por um engenheiro do Masp, que relatou, ainda, que foram encontrados no local objetos utilizados para arrombamento. As imagens do circuito interno mostram que os homens estavam encapuzados. A polícia não confirma se os assaltantes usavam armas e se o alarme do museu foi disparado ou não. Os quadros estavam em salas diferentes do segundo andar do prédio, o que faz a polícia acreditar que os assaltantes eram especializados em arte.Segundo informações da polícia, no momento do assalto quatro vigias estavam no prédio. Um deles chegou pelo subsolo por volta das 4h50 e subiu depois que o arrombamento já tinha ocorrido. O primeiro vigia que depôs disse não ter visto nada porque estava no andar de baixo. Durante o dia, os outros seguranças também prestarão depoimento. Em nota à imprensa, o Masp salientou que “ao longo dos seus 60 anos de atividades nunca sofreu uma ocorrência desta natureza” e afirmou que, por isso, foi instaurada uma sindicância interna visando “a total colaboração com o trabalho policial”.
A investigação corre em sigilo e a polícia anunciou que vai pedir apoio da Polícia Federal, do Itamaraty e da Interpol.
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Por conta do assalto, o museu não abrirá nos próximos dias. A assessoria de imprensa informou que o museu só reabrirá as portas depois da conclusão das investigações.
Valor inestimável
A assessoria de imprensa do museu afirma que as obras “O Lavrador de Café”, de Portinari (de 100×81 centímetros) e “O Retrato de Suzanne Bloch”, de Picasso (65×54 centímetros), não têm valores estimados, uma vez que nunca foram a leilão.
Felipe Chaimovich, curador do MAM (Museu de Arte Moderna), explica que o quadro de Picasso era representativo da fase pré-cubista do pintor e peça fundamental de passagem para o cubismo. Ele confirma que o valor da obra é inestimável. Gilson Pedro, professor de história da arte, acredita que os assaltantes eram altamente especializados, já que há relação entre os quadros roubados. Segundo ele, Portinari bebeu na fonte do cubismo de Picasso e ambos eram conhecidos por suas obras politicamente engajadas. Assim como Chaimovich, Pedro destaca a importância de “O Retrato de Suzanne Bloch” no histórico de Picasso e lembra que “O Lavrador de Café” é uma obra emblemática de Portinari por relacionar a arte à história e tradição brasileiras.O professor acredita que as obras devem sair do país. “Para nós, que já temos poucas obras-primas, é um horror”, lamenta.
(Fonte:http://noticias.uol.com.br)